Conheço algumas cidades europeias mas Lisboa tem um encanto eterno.
De dia, o 28 percorre as ruas estreitas até ao Castelo, à noite, o bairro alto veste-se de burburinhos e gargalhadas e de copos e garrafas no chão. Também não é novidade, noite que é noite em Lisboa tem de obrigatoriamente começar no bairro. Mas as pessoas são as maiores riquezas deste mundo e tão complexas são elas de entender. Tanto mal fazem umas às outras, tantas coisas ficam por dizer. Cruzamo-nos diariamente e deparamo-nos com um mundo por descobrir.
Ontem parei no Majong, para mim, o " bar das couves" e conheci o Tiago. O homem que é advogado de profissão e que segundo ele ainda "dá para comprar uns bifes", escreve umas coisas, mas conta que aos 40 anos fez um desenho e a partir daí nunca mais parou. As paredes negras do bar das couves estão agora impressas de simbolismo que retratam vivências desde meados dos anos 90. Os poemas escritos pelas megacanetas compradas na rua da rosa situam-se mesmo por cima da sua mesa favorita e os dourados, e os prateados, e as silhuetas e as alusões ao jogo, ao Lux, está lá tudo, tudo e tudo!
Mas o mais interessante do bar das couves é o empregado de olhos azuis que se lembra do meu nome, mas eu, não me lembro do dele e sempre que lá vou, de 3 em 3 meses sensivelmente, fala-me como se me tivesse visto ontem, oferece pipocas salgadas à descrição e cada vez que cruza a nossa mesa, toca-me nos ombros queimados pelo sol. E acreditem que é giro, é giro mesmo! Tudo razões para estar feliz, mas não, hoje estou triste!
post scriptum: foto de Hugo Gomes